Bem-estar

Violação da liberdade religiosa afeta dois terços do mundo

ResumoA Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) estima que 62 países apresentam graves violações à liberdade religiosa, afetando 5,4 bilhões de pessoas, aproximadamente dois terços da população mundial. O relatório da ACN documenta restrições severas em múltiplas regiões, incluindo discriminação, perseguição e limitações legais a práticas religiosas.

Estimativas da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) indicam que 62 países registram graves violações à liberdade religiosa, afetando 5,4 bilhões de pessoas, cerca de dois terços da população global.

Irmã Beatriz Cordeiro
por Irmã Beatriz Cordeiro · Religiosa e educadora · 06 de agosto de 2026 · 4 min
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Violação da liberdade religiosa afeta dois terços do mundo

Nesta quinta-feira, 6, celebra-se o Dia de Oração pelos Cristãos Perseguidos. Estimativas da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN), em seu último relatório, apontam que 62 países registram graves violações à liberdade religiosa, afetando 5,4 bilhões de pessoas, cerca de dois terços da população global. Um número expressivo para um século marcado por avanços tecnológicos.

Por que a repressão religiosa persiste?

"É uma pergunta que muitos se fazem", afirma o Frei Rogério Lima, Assistente Eclesiástico Nacional da ACN. "Vivemos em uma época de grandes avanços tecnológicos e científicos, mas isso não significa, necessariamente, um avanço na defesa da dignidade humana." Para ele, a liberdade religiosa é um direito fundamental que continua sendo negado por motivos ideológicos, políticos, nacionalistas ou extremistas.

A religião ainda é vista em muitos países como forma de controle ou ameaça ao poder estabelecido. Em outras regiões, grupos extremistas impõem sua visão de mundo pela violência. "Como cristãos, sabemos que a perseguição acompanha a história da Igreja desde os seus primeiros dias", pondera o frei, citando a advertência de Jesus: "Se perseguiram a mim, vão perseguir a vocês também" (Jo 15,20).

África: epicentro da violência extrema

O relatório da ACN aponta a África como epicentro de violência extrema contra comunidades religiosas. Frei Rogério, que atuou como missionário em Moçambique, pede cautela: a perseguição existe em regiões específicas, não em todo o continente. "Temos, sim, perseguição religiosa no norte de Moçambique, mas não em todo o Moçambique", detalha.

Em países como Nigéria, Burkina Faso, Mali, Moçambique e República Democrática do Congo, fatores como governos frágeis, pobreza, conflitos étnicos e disputa por territórios criam ambiente propício para grupos armados e organizações extremistas. Apesar do perigo, o frei se surpreende com a vitalidade das comunidades: "Muitos cristãos continuam participando da Missa mesmo sabendo dos riscos que correm."

Perseguição silenciosa: a discriminação cotidiana

O relatório divide as violações entre perseguição aberta e discriminação institucional. Esta última é uma perseguição "silenciosa" que afeta o dia a dia do cristão. As dificuldades incluem barreiras para conseguir emprego, impedimentos para ocupar cargos públicos, discriminação nas escolas e restrições administrativas aos templos.

Frei Rogério relata um testemunho da Tanzânia: em entrevistas de emprego, após o candidato dizer o nome, o entrevistador responde: "Aqui não temos emprego para cristãos". Esse tipo de violência recebe menos atenção por não produzir imagens impactantes, mas seus efeitos são devastadores ao longo do tempo.

O que pode ser feito

Para o frei, os governos têm a responsabilidade de garantir proteção às minorias religiosas, combater a impunidade e impedir que grupos extremistas atuem livremente. A missão da Igreja, por sua vez, é permanecer ao lado dos que sofrem, por meio de assistência pastoral, ajuda humanitária e reconstrução de igrejas e escolas.

"O primeiro passo é rezar", recomenda. "Quando conversamos com cristãos perseguidos, percebemos que esse é, quase sempre, o primeiro pedido que eles fazem: 'Não deixem de rezar por nós'." A ACN também lançou uma petição global para defender a liberdade religiosa, que será entregue ao secretário-geral da ONU e a outras autoridades.

Em regiões como a África Subsaariana e o Oriente Médio, a violência tem provocado o deslocamento forçado de milhares de pessoas. O risco de desaparecimento de comunidades cristãs históricas é real em algumas regiões. "Perde-se uma parte da memória histórica, do patrimônio cultural, da diversidade social e da capacidade de diálogo", alerta o frei. O enfraquecimento dessas comunidades empobrece toda a sociedade.

Perguntas Frequentes

O que é o Dia de Oração pelos Cristãos Perseguidos?

É uma celebração anual, realizada nesta quinta-feira, 6, para unir fiéis em oração pelos cristãos que sofrem perseguição em todo o mundo.

Quantos países violam a liberdade religiosa?

Segundo a ACN, 62 países registram graves violações à liberdade religiosa, afetando 5,4 bilhões de pessoas.

O que é perseguição religiosa silenciosa?

É a discriminação institucional que restringe gradualmente o direito de viver a fé, como barreiras para emprego, acesso a cargos públicos e restrições a templos.

Como ajudar cristãos perseguidos?

O primeiro passo é rezar. Também é possível apoiar projetos de ajuda concreta e assinar a petição global da ACN pela liberdade religiosa.

Onde a perseguição é mais intensa?

A África é apontada como epicentro de violência extrema, com casos em países como Nigéria, Burkina Faso, Mali, Moçambique e República Democrática do Congo.

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